terça-feira, 28 de agosto de 2007

Anestesia: vilã ou vítima?

Momento em que se identifica o espaço ideal para injetar o anestésico. Note a gota de líquor, presente nessa região anatômica. É ela, ou a presença dela, que nos serve de guia...


Momento da punção. Único instante em que há referência a dor pela maioria dos pacientes.


Seringa utilizada e agulha, na parte inferior. Note que apesar de grande, seu calibre é bem pequeno, resultando em menos agressão as membranas...


A pergunta mais feita por todo e qualquer paciente na rotina de consultório, quando informado de que será submetido a cirurgia, é quanto ao tipo de anestesia que sofrerá.
As perguntas são muitas... quanto ao tipo... quanto a duração... quanto ao tamanho da agulha... quanto as possíveis complicações... dentre outras.
Na minha prática de rotina, que aborda as cirurgias do joelho, assim como as relacionadas a Medicina Desportiva, na maioria das vezes optamos pela anestesia raquidiana, onde é injetada uma calculada dose de anestésico no espaço entre as membranas que recobrem o cerébro e a medula (sistema nervoso central), ao nível da coluna lombar (entre a 4a. e 5a. vértebras lombares), fazendo um bloqueio da função sensitiva e motora dessa área, extendendo-se por toda porção inferior, por um período de até 3 horas. A cirurgia dura em média 1 hora, então... teremos tempo de sobra.
É claro que existem as exceções, porém são raros os casos onde a anestesia geral se faz necessária. Aliás, como é uma cirurgia por vídeo na maioria das vezes, o paciente pode assisti-la pela televisão em tempo real, se assim for sua vontade. Se não, é adicionado um esquema de sedação, fazendo com que o mesmo durma por todo o período operatório.
Pode ser realizado nas posições sentado ou deitado, de lado.
E agora? Mais calmos? Espero que sim!!! Não há com o que se preocupar... somos todos muito bem formados e atualizados em relação aos procedimentos.
Ah... não podemos esquecer... o JEJUM deve ser em DIETA ZERO, na qual nem água pode ser tomada, por pelo menos 8 horas antes da cirurgia, uma vez que qualquer conteúdo no estômago pode refluir com a perda da consciência e chegar aos pulmões, levando a uma das mais preocupantes complicações, que é a PNEUMONIA ASPIRATIVA!!! Imaginem feijão, arroz... lá no seu pulmão...
Além desta, a outra complicação é a cefaléia pós-anestésica, induzida muitas vezes pela teimosia do paciente em manter a cabeça erguida durante o ato operatório, o que aumenta a pressão no espaço onde o anestésico é injetado, resultando na "dor de cabeça".

2 comentários:

Patricia disse...

Oi, irei fazer uma cirurgia na semana que vem, rompi um ligamento no joelho esquerdo. Tenho alguns traumas com anestesistas, nunca tive muita sorte, portanto eu gostaria de saber se há a possibilidade de induzir o sono no paciente antes da aplicação da anestesia ou ele precisa estar acordado? Grata!

Hudson Argollo disse...

Dr. muito obrigado por compartilhar seu conhecimento e experiência de forma tã clara e objetiva a nós leigos. Estou no 8º dia de recuperação de uma reconstrução do LCA e gráças ao seu blog, posso esclarecer minhas dúvidas através de seus posts. é gratificante poder saber detalhes sobre a importância do jejum, por exemplo. muito obrigado mesmo.